1.25.2010

CAFOFO BOM

Gardel na novela das oito e um novo post por aqui, tão esquecido e relegado depois da minha ida pra Londres. Lembrei de uma cena, em 1994. temporariamente, eu e meus pais nos mudamos para o apartamento em que o Luiz e o Renê moravam, na rua Tutóia. O nosso estava reformando e fomos pra lá acampar - de verdade, por meses nem tirei minhas roupas da mala.
A sala era grandona e tinha poucos móveis. Uma tarde de dia de semana coloquei "Por una Cabeza" no repeat e dancei e dancei e dancei. Quem não sabe dançar tango, melhor não ter parceiro. Quando entra o Luiz e me pega na pirueta.
Então que, cinco minutos depois, dei pela falta dele. Entro no banheiro do quartinho dos fundos e pego ele queimando um na janelinha.
Mais uns minutinhos e chega minha mãe. Que não pega nada nem ninguém, claro.

9.30.2009

É O FIM DA CONVENÇÃO



Eu acho que sou uma chata por ficar reverenciando coisas do passado que caíram em desuso, trocadas por artifícios modernos - nos quais, inclusive, sou viciada (como a internet). É uma dicotomia doida dentro de mim, que não quero tentar explicar nem entender. É um tesão pensar num som, achar o vídeo e a letra na hora, sem drama. Mas o que dizer de uma busca desesperada por uma música que só toca na rádio e que você quer escrever a letra? 
Foi assim em mil novecentos e bolinha, com "Gritos na Multidão", do Ira!, que eu amava. Eu tava numa dificuldade louca de pegar ela inteira. Um dia, acordei, e do lado do meu micro system preto da Aiwa (mesma marca do meu walkman), tinha um papelzinho com uma parte da letra escrita. Que o Luiz tinha ouvido e, sabendo do meu desejo, anotado pra mim. 
A modernidade também tem suas fofurices e, com certeza, o tempo vai trazer elas à tona.

9.28.2009

COUCHÉ COR DE ROSA

"que tal uma viagem bem maneira?"
owww
fofo!

9.26.2009

PRA LAURA 2


Essa carta eu escrevi pra Laura no fim de uma aula, no terceiro colegial, na Faap (1994). Ela fazia cursinho no Anglo da Sergipe e rolava um intercâmbio de pessoas da Faap (no Dadá, boteco que nem existe mais na Rua Alagoas, foi substituído por lugares de playboy) e do Anglo, lá pelo meio dia, quando acabavam as aulas. Uma das melhores épocas, de esperança no futuro que a gente achava que tinha escolhido. Tudo mudou, os planos traçados então tomaram outro rumo, mas valeu cada sonho que a gente construiu juntas, mesmo que, por opção, tenham sido substituídos por outros não mais compartilhados.

PRA LAURA 1


Mais uma da série surf-bicho-grilo-filosófica do fim do colegial: uma carta que fiz pra Laura em 1994. Em papel de caderno, tem forma de camisetinha (e uma etiqueta com o nome dela), mas chegou aos anos 2000 com uma manga rasgada. 

Tem frases de maconheirinha
* Não deixe a queimada acabar com a sua plantação. Queime (um) e plante (dois)
* Why drink and drive if you can smoke and fly?
* On jack tall back?

Tem frase em espanhol (óbvio):
* ...habian bloqueado todas las salidas. Pero el escapó por una de las entradas...
* En la lucha de clases todas las armas son buenas. Piedras, noches, poemas.
* Delante de nosotros hay miles de senderos. Lo mismo hay dentro de uno mismo. Solamente hay que elegir!

Tem Pink Floyd:
* There's no other day, let's try another way

Tem Oscar Wilde:
* A única maneira de se livrar de uma tentação é ceder

Tem frase clichê em inglês:
* Action make dreams come true

E tem os desejos e questões do fim da adolescência:
* Cinema
* Teatro
* TV
* Sol
* Praia
* Amiga
* Namorado
* Vestibular
* Sexo, sexo, sexo (três vezes e com três pontos de exclamação)

Na outra manguinha devia ter mais. E eu amava a Laura de paixão, foi uma das melhores amigas da vida ever. Eu roubei todas as cartinhas quando ela foi pra Argentina (sua terra natal) casar. Infelizmente, com um cara muito errado. E tenho também todas as que ela me escreveu.

DU BELGIQUE






O Luiz morou em Tournai uns dois anos. Em 2003, fiz 28 anos e ele me mandou, pelo correio, uma carta e um CD que gravou pra mim, com músicas francesas. Na capa, fez uma artezinha fofa com referências ao número 28.

"Então é isso: parabéns pelos seus 28 anos (você prestou atenção à capa, espero!)! A vida não pára, não é assim? E como diria Raul Seixas, "não sei pronde tô indo, mas sei que tô no meu caminho". Pode parecer babaca, mas é extremamente profundo isso, meio budismo, meio filosofia ocidental. Por que? Porque a gente sempre está no nosso próprio caminho, a gente nunca desvia dele. Desde que a gente começou a andar, a gente começou a percorrer um caminho, que é o nosso. É o nosso porque é a gente que caminha. E pensar assim tranquiliza um pouco nossas angústias pós-modernas, porque a gente pára de pensar que a gente deveria estar fazendo outras coisas., percorrendo outros caminhos, caminhos dos outros, caminhos universais. Não, a gente sempre está no nosso próprio caminho, por mais difícil e insensato que ele possa parecer. E por ele ser o nosso caminho, a gente precisa aprender a tomar consciência disso, e tomá-lo nas mãos, ser sujeito de nossa próprias escolhas."

RESPOSTA AOS CAPÍTULOS 1 E 2 DO MANUAL DE CULTURA GERAL

Da Bélgica, onde estava morando em 2003, o Luiz mandou um email engraçado para meus (nossos) pais. Dizia coisas diferentes do que ele costumava dizer, como "aceito um apartamento" ou algo que o valha. Usei algumas frases, fiz duas cartas cheias de graça pro meu pai (eu queria trocar de carro) chamadas "Manual de Cultura Geral" e eis a reposta dele. Incrível. 

Dá pra ler clicando, mas aqui o trecho que me cita diretamente:

"Você, Isabela Maria, tem nome de santa e, talvez por isso, VOA. Tem muitas qualidades e, principalmente, muito potencial para chegar às alturas. Não pode esquecer, entretanto, que a vida terrena está em plano mais baixo, e é nele em que pisamos, é nele em que vivemos, recheado de dificuldades e de frustrações. Rousseau (salvo engano) disse que o homem nasce bom; é a sociedade que o corrompe. Não podemos nos abater com as frustrações, que fazem parte da vida; pelo contrário, devemos superá-las, confiando (a auto-confiança é um valor inestimável), sem arrogância, na nossa própria força e nas nossas próprias qualidades. Você é bonita (negar, quem há de?), inteligente, intelectualmente preparada, com ótima formação moral e excelente estrutura familiar (viva a seus avós) - por que, então, o derrotismo?"